“If I was a flower growing wild and free, all I want is you to be my sweet honey bee"
Desenhos aleatórios, “Mafalda” na mesa. E eu me pergunto se eu deveria estar escrevendo sobre o mundo.
Calor sufocante, contraditório sentir liberdade. E eu me pergunto se deveria estar escrevendo sobre aquecimento global.
Cabelo no meu rosto, crianças do vizinho brincando... Seria mais interessante escrever sobre pais e filhos ou sobre tinta de cabelo?
Meu pai caminhando com o lixo da cozinha, I don’t see what anyone can see in anyone else but you... Escrever sobre amor é muito clichê?
Coceira no pescoço, os mosquitos deram uma de vampiros ontem. Alergia nas pernas incomodando. Huumm.. não, escrever sobre alergias também não é uma opção.
Meu pai gritando comigo por bobagem. Não sei se é possível sentir paz completa quando tem alguém gritando que tu precisa limpar o chão da cozinha nos teus ouvidos. Me pergunto o que meu pai faria se lesse isso... Eu deveria estar escrevendo sobre essas coisas?
Estresse, inquietação.. Não estou escrevendo direito. Tem alguma coisa errada. Será que eu deveria mudar de assunto? Olho pros livros na estante ao lado, procurando inspiração. Uma luz, dessas fontes de cultura. Não, nada. “U2 e a filosofia”, “Causa Nobre”, “Espelhos”, “Não há Coincidências”, “A Casa das Sete Mulheres”, “Mario Quintana’s”, “Violetas na Janela”, “Alice no país das Maravilhas”... AAAH. Nada disso ajuda.
Calor incomodando. Meu humor muda tão facilmente que me assusta.
Será realmente tão difícil conseguir inspiração? Não queria escrever mais um texto sobre minha vida e também não queria criar nada. Não queria os meus textos iguais, minhas filosofias que soam muito melhores na minha cabeça.
Não queria ter um rótulo no meu estilo de escrever, não queria ter um rótulo no meu estilo pelo que escrevo.
E parece que não há nada mais na sociedade que me apeteça a escrever, a não ser a minha dúvida. Individualista então. Que seja. Não, não quero escrever sobre mundo. Não quero escrever sobre relações. Não quero escrever sobre amor, mesmo que dentro de mim ele fique querendo pular insistentemente para as páginas. Não, eu prefiro deixar apenas esse texto sobre a dúvida, sobre a minha não capacidade de me inspirar, de escrever algo realmente bom.
Se for pra pensarem nesse texto como bobo, não poderei mudar isso. Ele realmente é bobo, sem nenhum sentido, idiota e retrato de uma cabeça confusa.
Mas uma hora dessas eu paro de me distrair com as picadas dos mosquitos e com a voz do meu pai e escrevo alguma coisa decente. Hoje não. Hoje eu escrevo por escrever, e que goste quem gostar, se identifique quem entender, revire os olhos quem quiser revirar. Ria quem quiser rir, boceje quem quiser bocejar e parabéns aos que chegaram até aqui, pois eu sei que muita gente fechou esta janela antes da minha conclusão atrapalhada. Obrigada aos que ficaram e quanto aos que fecharam, eu me entendo com eles depois. Hun.
“I don’t see what anyone can see in anyone else but you…”