terça-feira, 19 de agosto de 2008

Jeitos e sonos.

Uma prima minha que dorme aqui às vezes anda sempre com uma cara de agito e treme as mãos freneticamente com ar de pressa sempre que vai contar uma novidade. Quando acorda, te olha com uma cara de confusa e braba e depois ri, como se desse de conta que aquela cara de braba era desnecessária.

Meu pai caminha falando, não para de falar um minuto. Sempre arruma alguma coisa fora do lugar e me chama a cada 5 segundos para eu fazer alguma coisa. Por exemplo agora. Quando chochila no sofá sua cabeça pende para frente e então ele acorda de supetão. Se ele vê que tu tá olhando, faz uma cara séria. É engraçado. Fora isso eu nunca vejo ele acordar nem dormir. nunca. Ele acorda antes de todo mundo e quando dorme, é de porta fechad. Eu sei que ele escuta rádio.

Minha mãe não acorda. Se acorda, fica carinhosa e faz uma carinha de coitada. Ela anda cantando música brega pela casa e dançando. Adora cantar em inglês e francês.. ou melhor, tenta. É super inteligente mas às vezes faz umas coisas esquisitas. Às vezes ela não tem muitos escrúpulos. Quando dorme a sala vendo um filme, ou algo do tipo, ninguém tira ela do sofá. Eu posso chamar no mínimo 5 vezes, ela não sai de jeito nenhum. Ela adora mudar o seu despertador para as coisas cada vez mais irritantes. E dá risada disso, principalmente da irritação do meu pai.

Minha irmã mais velha, a mais mais velha, sendo que eu sou a caçula de três, é bem culta. Estuda que nem uma condenada e tem algumas manias organizativas bem esquisitas. Arquiva, arquiva, arquiva. Em sequências e ordens e... Bem, quando dorme, dorme normal e se tu fala alaguma besteira ou faz algo que a acorde, ela larga um "cala a boca, tchê.." autoritário que faz tu até se sentir mal. Sem falar de quando ela resolve falar dormindo. é interessante, porque uma vez ela não sabia francês e estava conversando em tal língua durante o sono. o.O

A outra irmã, a do meio, é super alegre e sei lá. é bem louca, faz faculdade de artes. Mas não se engane, ela tem a cabeça no lugar. Pensa muito, mesmo que às vezes pense demais. Quando dorme, bem. Ela dorme em qualquer lugar. E dorme do nada também. Quando eu tento acordar ela de manhã, é aquele velho "já vo, já vo" com uma voz de bebada.. Ela te olha com os olhos quase fechados, fecha eles de novo, faz aquela coisa com a boca de quando as pessoas acordam, slept, slept e vira para o lado e volta a dormir.
Quando se acende a luz do quarto quando ela já está dormindo ou qualquer coisa assim, ela entreabre os olhos, faz uma cara de indignação sofrida misturada com pavor (fazendo slept, slept) e diz.. "que que é iiissssso? que issssso?" meio olhando pra tudo como se estivessem tacando fogo no quarto. Sem falar que ela adora discursar e discutir ou até bater uma papo cabeça ou impedir minha mãe de comer doce aos berros em voz alta durane o sono. bem interessante acordar com a voz macia dela berrando no quarto.

Eu?
Aaahn, dizem que eu sou tagarela, louca, que eu tenho mania de deixar todas as minhas coisas atiradas e não gosto de estudar. :D
Ultimamente ando dormindo o tempo todo, em tudo que é lugar. E quando me acordam, sinto culpa. uma enoorme culpa. Se for fora do horário de sono, é claro. Não gosto de dormir fora de hora, me dá a sensação de que perdi uma hora do meu dia que poderia ser produtiva.
Dizem que eu sou meio consciente dormindo. Que eu falo, arrumo as coisas pra dormir e tudo. Interessante.

Isso pode ser perigoso.
Mas isso tudo é muuuito divertido. :D

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Olhares

Firme. Seu cabelo preto era grosso, liso. Sua pele morena queimada de sol demonstrava uma certa dureza. Seu rosto era rígido, com traços fortes. Mas seus olhos negros tinham uma doçura inexplicável.
Com a tristeza necesária para se fazer gentil, cada olho demonstrava uma sensibilidade extrema. O difícil de se encontrar em um homem como aquele, era um motivo para ter aqueles olhos.
Homem de poucas palavras, gestos simples, rápidos.
Ágil, bom vendedor.
Muitas pesoas, quando chegavam na venda em que ele era balconista, pensavam..
"Um bixo grosso desse, deve ser mal educado, além de vender mal!"
Mas bastava ele olhar nos olhos das pessoas durante a compra, que elas ficavam encantadas. Era como se ele tivesse dito palavras gentis, era como se ele tivesse dito alguma coisa que as fez se sentirem especiais.
Mal se recordavam as pessoas que ele, na verdade, só falara o preço e um "muito obrigado" tímido ao entregar o troco.


Leve. Seus longos cabelos castanhos jogados pra trás voavam ao vento. Uma pele macia, meio termo em questão de cor, não muito bronzeada nem muito clara. Um rosto belíssimo de traços perfeitos marcados femininamente. E seus olhos. Grandes olhos verdes, sugavam os outros olhos como um imã, profundos, magníficos. Confiantes. Quem convivia com ela, sentia-se sempre prestes a levar um tiro. Ela dominava quem quisesse com seus olhos.
Penetrava a pessoa até sua alma, parecendo radiografar seus pensamentos e seus medos.
Muitos se revoltavam cosigo mesmos quando estavam longe, quando tinham algo verdadeiro para falar pra ela e não conseguiam. Não entendiam porque.
Mas era só olhar para seus olhos e já compreendiam novamente.


Seus cabelos loiros cortados rebeldemente lhe caíam quase nos olhos, seu sorriso maroto dado de lado expressava segurança, até prepotência. Uma pele clara como leite, perfeita. E olhos sorrateiros. Azuis e aguados. Pequenos e difíceis de capturar. Ninguém que olhasse para aqueles olhos sabia o que eles queriam dizer. Não eram frios, eram escondidos. Como se ele próprio não quisesse que soubessem o que ele era, ou como ele era.
As garotas se apaixonavam perdidamente por ele. Mas ele nunca deixava seus olhos demonstrarem nenhum sentimento verdadeiro, e ele as perdia.


Seus cabelos ruivos flamejantes andavam soltos e brilhantes à luz do sol. Um pouco curtos, voavam pedidos no vento, viajando na sua própria superfície lisa. A pele rosada como pêssego contrastava com o fogo que parecia arder em sua cabeça, a boca sorridente e carnuda passava arrancando olhares. Seus olhos eram puxados e castanhos. Um olhar sapeca, que não prendia nenhum outro olhar, que não manipulava, que só estava ali para dar a quem o olhasse um pouco mais de felicidade. Um tantinho mais de adolescencia. Pois era um olhar de adolecente. Quase um olhar de criança que aprontou mais uma travessura.

Poderia eu dizer que um dia eles se encontraram e um olhar afetou o outro mudando completamente a essencia de cada um.
Mas eu não poderia dizer se esses olhares se cruzaram. Apenas posso dizer que, se um dia eles se cruzarem, nunca um mudaria a essencia do outro.
Cada olhar traz a característica mais forte de cada pessoa.
Perder isso seria como perder a própria identidade. A própria originalidade e individualidade de cada um.


"Um olhar tem em sua simplicidade
A profundidade necesária para se conhecer
a nossa própria alma."

Laura Moschoutis