terça-feira, 1 de maio de 2012
Piscina.
Olhei pra essa página assustadoramente gigantesca para escrever e pensei em um tema pra preencher esse vazio de informações. A página nova me distraiu algumas vezes, mas é bem feito por não postar há tempos.
A última vez que eu postei ainda tava saindo do ensino médio e agora já tenho quase um ano e meio de faculdade. Faculdade de Letras, onde aprendi a não amar mais meu blog. Faculdade de Letras onde eu aprendi que pra ser escritor tu precisa de muito mais artilharia que eu tenho. A Faculdade de Letras onde aprendi que nada na literatura é simples, e literatura muito simples é ruim. Só que eu sou e escrevo simples, não sei direito que linguagem é mais legal e não sei colocar muitas coisas nas entrelinhas. Não tenho a habilidade de ser uma grande escritora, mas também não é tudo ruim no que eu faço. Eu escrevo textos políticos mais decentemente, consigo expressar bem minhas ideias, mas também não penso em mim como alguém com base suficiente pra escrever política no meu blog, ou criar um blog político.
Às vezes eu penso em mim como uma jornalista de coisas vazias e simples, que escreve sobre coisas fáceis, porque daí não corre o risco de falar besteira. Quem é capaz de falar besteira sobre alguma besteira? Tem que ser muito idiota.
Daí eu escrevo sobre coisas que eu sinto, sobre fatos da minha vida, sobre relacionamentos ou amor, sobre Marisa Monte (que eu ouço esse momento), ou sobre a minha incapacidade de escrever. É, e eu juro que acredito realmente nessas coisas.
O problema é que tudo em mim mudou durante esse ano e meio, e o que eu sou e as coisas que eu sinto se direcionaram diretamente para aquela que eu não quero escrever sobre, a política. Até meus relacionamentos, os problemas deles e as coisas boas deles também. Eu mudei, e a bobagem que era escrever sobre mim se tornou muito mais difícil, porque ler a minha própria vida ficou muito mais difícil.
De uma pessoa andando por aí com amigas que gostam de Fresno e Demi Lovato, alguém que pouca gente repara e se repara não espera nada demais, consegui virar alguém que precisa provar o tempo inteiro pra determinadas pessoas importantes o que é e a amplitude política que possui. Me transformei em muito mais que um casaco vermelho e alguma poesia, algo de teatro e algo de música, com um tanto de olhar sobre a sociedade que não tomava majoritariamente minhas ações, só algo do meu pensamento e que não tinha encontrado lugar ainda no meu sistema de vida, me transformei em um ser político pensante, preocupado e agente do que acredita. Transformei meu pensamento e minhas prioridades, meus textos e meus assuntos, minhas certezas, e criei a necessidade de preencher minhas lacunas com informações novas e antigas que me ajudem a criar teorias e ações novas. Determinei alguma coisa de algum futuro em algum lugar e, em determinado momento dessa história, comecei a ser vista. E cobrada. E pressionada. E tudo o que eu digo precisa ser cuidado, e tudo que eu pensar vai ser julgado, e tudo que eu escrever tem responsabilidade e pode ser distorcido. Mas meu sofá ainda é rosa, minha palavra preferida ainda é alegria e quando eu vejo luzes no horizonte eu ainda penso em magia. E eu gosto disso.
Não quero ser vista com olhos políticos ou como John Lennon viu Paul McCartney, não quero ser vista como uma coisa ou outra. Essa história cansa.
E eu sei que é difícil compreender tudo que alguém é, principalmente se essa pessoa der tanta importância pra tantas coisas diferentes e até incoerentes entre si, mas eu queria que compreendessem. Queria que alguém que ouve o que eu falo não me julgasse ou fútil pelas bobagens ou chata pela política. Queria que compreendessem o fato de que a menina com o megafone gosta de dançar e de cantar no chuveiro. Que a criatura política também gosta de Fresno, Jonas Brothers e ama seu All Star azul.
Só queria ser perdoada algumas vezes. Perdoada por não ser mais forte ou mais profunda politicamente. Perdoada por estar há 10 meses no Movimento Estudantil e não ter aprendido ainda a não chorar quando sofre pressão demais e a embasar seus argumentos com tanta qualidade. Queria ser perdoada por sorrir em manifestações e por tremer quando a polícia chega. Não queria ser mal entendida ou usada. Não queria ter medo de ser manipulada e não queria ter que provar constantemente que tenho força e personalidade suficientes pra segurar o tranco e não esquecer meus princípios. Eu queria que todos lembrassem os seus princípios e deixassem os meus em paz, lembrando a quem deveríamos cobrar e/ou atacar.
Queria poder jogar toda a minha poesia e minhas risadas em tudo, por mais sérios que tenhamos que ser algumas vezes. Eu queria ser perdoada por querer cor em tudo, e querer todas as cores em tudo e de verdade.
Queria e quero a permissão de ser utópica, e a condição de não precisar provar nada pra ninguém.
É por essa confusão que tomou conta do meu post que eu tenho essa dificuldade toda de voltar aqui e escrever sobre mim. Não tenho mais só alguma filosofia frufru e um olhar poético sobre alguma coisa mongolona. Nem consigo mais ter orgulho de tê-los. Hoje em dia ampliei tudo e perdi o controle. Não ando mais apenas nas minhas mãos, mesmo que mais livre. Ando nas mãos do mundo e tudo que o toca. E não reclamo, se é, é porque eu quis e entrei de olhos bem abertos nessa água.
Falo água porque sabe, eu não sei se tu já entrou em uma piscina de olhos abertos... Tu enxerga, mesmo que incomodamente, vê os raios de luz vindos de cima, mas nunca consegue ver tudo. É como eu vejo minha vida hoje em dia. Uma piscina lotada de coisas em que eu observo de dentro com os olhos bem abertos. E confusos. E algumas vezes ardendo.
E muitas vezes perdendo o ar.
É nessa hora que eu preciso subir e respirar, é nessa hora que eu saio da piscina e olho pra baixo. É nessa hora que eu escrevo.
É agora.
É um ano e meio depois de mergulhar.
Até que meu fôlego anda bom. :)
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