segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Olhares

Firme. Seu cabelo preto era grosso, liso. Sua pele morena queimada de sol demonstrava uma certa dureza. Seu rosto era rígido, com traços fortes. Mas seus olhos negros tinham uma doçura inexplicável.
Com a tristeza necesária para se fazer gentil, cada olho demonstrava uma sensibilidade extrema. O difícil de se encontrar em um homem como aquele, era um motivo para ter aqueles olhos.
Homem de poucas palavras, gestos simples, rápidos.
Ágil, bom vendedor.
Muitas pesoas, quando chegavam na venda em que ele era balconista, pensavam..
"Um bixo grosso desse, deve ser mal educado, além de vender mal!"
Mas bastava ele olhar nos olhos das pessoas durante a compra, que elas ficavam encantadas. Era como se ele tivesse dito palavras gentis, era como se ele tivesse dito alguma coisa que as fez se sentirem especiais.
Mal se recordavam as pessoas que ele, na verdade, só falara o preço e um "muito obrigado" tímido ao entregar o troco.


Leve. Seus longos cabelos castanhos jogados pra trás voavam ao vento. Uma pele macia, meio termo em questão de cor, não muito bronzeada nem muito clara. Um rosto belíssimo de traços perfeitos marcados femininamente. E seus olhos. Grandes olhos verdes, sugavam os outros olhos como um imã, profundos, magníficos. Confiantes. Quem convivia com ela, sentia-se sempre prestes a levar um tiro. Ela dominava quem quisesse com seus olhos.
Penetrava a pessoa até sua alma, parecendo radiografar seus pensamentos e seus medos.
Muitos se revoltavam cosigo mesmos quando estavam longe, quando tinham algo verdadeiro para falar pra ela e não conseguiam. Não entendiam porque.
Mas era só olhar para seus olhos e já compreendiam novamente.


Seus cabelos loiros cortados rebeldemente lhe caíam quase nos olhos, seu sorriso maroto dado de lado expressava segurança, até prepotência. Uma pele clara como leite, perfeita. E olhos sorrateiros. Azuis e aguados. Pequenos e difíceis de capturar. Ninguém que olhasse para aqueles olhos sabia o que eles queriam dizer. Não eram frios, eram escondidos. Como se ele próprio não quisesse que soubessem o que ele era, ou como ele era.
As garotas se apaixonavam perdidamente por ele. Mas ele nunca deixava seus olhos demonstrarem nenhum sentimento verdadeiro, e ele as perdia.


Seus cabelos ruivos flamejantes andavam soltos e brilhantes à luz do sol. Um pouco curtos, voavam pedidos no vento, viajando na sua própria superfície lisa. A pele rosada como pêssego contrastava com o fogo que parecia arder em sua cabeça, a boca sorridente e carnuda passava arrancando olhares. Seus olhos eram puxados e castanhos. Um olhar sapeca, que não prendia nenhum outro olhar, que não manipulava, que só estava ali para dar a quem o olhasse um pouco mais de felicidade. Um tantinho mais de adolescencia. Pois era um olhar de adolecente. Quase um olhar de criança que aprontou mais uma travessura.

Poderia eu dizer que um dia eles se encontraram e um olhar afetou o outro mudando completamente a essencia de cada um.
Mas eu não poderia dizer se esses olhares se cruzaram. Apenas posso dizer que, se um dia eles se cruzarem, nunca um mudaria a essencia do outro.
Cada olhar traz a característica mais forte de cada pessoa.
Perder isso seria como perder a própria identidade. A própria originalidade e individualidade de cada um.


"Um olhar tem em sua simplicidade
A profundidade necesária para se conhecer
a nossa própria alma."

Laura Moschoutis

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