quarta-feira, 20 de abril de 2011

Desabafo sobre o IF.

Depois de largar o IF, fazer o enem pra me formar no ensino médio e entrar pra faculdade, eu ouvi várias vezes que eu tava perdendo um grande nome no meu currículo, que o IF era um status a mais, que é muito diferente dizer que se formou pelo IF ou pelo enem, como um supletivo ou algo assim. Isso não é totalmente errado, mas sinceramente discordo de algumas coisas pelo fato de que eu não tinha o melhor histórico escolar do mundo enquanto estudava no cefet. O que eu colocaria? "ensino fundamental (CIEP) conclusão em 2006. ensino Médio (IF-Sul) conclusão em 2012"? sério?
Eu acho que, mesmo que seja verdade, não faz valer a pena todo o "sofrimento" que era o IF pra mim no final.
Mas tranquilo, aguento de boa, talvez as pessoas tenham razão. Só não aceito uma coisa. Não permito que seja dito porque não é verdade. não aceito que digam que eu não vou poder levar nada do IF, como se a única coisa importante do mundo fosse o currículo. Não é. E eu sei que vou levar pra vida inteira muito mais que um papel com boa qualificação. Eu vou levar as experiências de cada aula, cada projeto, cada amigo e cada lugar.
A responsabilidade forçada, a visão política das aulas de história, a dificuldade das aulas de topografia, o mundo profissional das aulas de técnicas construtivas e todas as lições de vida dos professores da EDI. Não vou poder levar o corpinho que eu tinha da Educação Física, mas levo o KiSuco nos ensinando a saltar e jogar futebol como se fosse um pai. Levo (e só descobri isso no cursinho) a capacidade de raciocinar rápido e complexamente das aulas de Física e Matemática. Levo a história da minha luta de amor e ódio com a Química com opostos. Se me perguntarem se eu gostava de Química no cefet, eu vou ficar confusa. Até porque eu tive o Éder, o pior professor de Química da história, mas tive o Léo e um pouco de Marcelo, os melhores. Vou levar pra sempre o conhecimento de tubulões que sustentam pontes, de que argamassa é cimento areia e água mas todo mundo joga cal pra dar mais liga, de que existem mais nomes estranhos nos termos da construção civil do que pode imaginar a nosa vã compreensão humana, que as normas da ABNT são caras e chatas, que a diferença entre parede trincada e rachada é simplesmente que trincada é na nossa obra, rachada é na dos outros. Que tu deves usar clorofina na parede antes de pintar ou os fungos crescem e explodem a tinta (e fica feio) e muitas outras coisas. Ah, claro... um revestimento argamassado é feito de chapisco, emboço e reboco. A maior lei da Edificações, e a única questão que todos acertavam na prova. :)
Vou levar pra sempre as aulas de Geografia, principalmente a que eu e a Camila ficamos bêbadas com a nega maluca que a Stela fez, totalmente batizada e eu não sabia. Vou levar ICC e todas as visitas às obras. Também vem pra minha mala Desenho Arquitetônico, onde se aprende que régua paralela é a coisa mais importante do mundo. Levo também, na verdade principalmente, as aulas de português que no IF só completaram a minha fascinação, fizeram a minha escolha pela faculdade de Letras e eu espero ainda voltar lá ensinando.

Levo o jardim. Cada minuto, cada dia, cada sol e cada sombra. Cada dia que passei frio e os dias que passei calor. Cada amigo que eu encontrei lá, cada briga que eu tive, cada beijo que eu dei. Levo as árvores grandes que eu ficava olhando de baixo deitada num banco depois do almoço e levo as árvores pequenas que eu me apoiava pra conversar. Levo os bancos e todas as coisas escritas neles e levo as pessoas que sentavam, deitavam e até sambavam nos coitados. Levo as fotos, os livros que eu li deitada no sol e tudo que eu cantei e dancei. Também tudo que a Sandy dançou. he.

Levo o laguinho do jardim dos professores e suas tartarugas preguiçosas, a cruz e a padra atrás dela, onde tinha uma sombra ótima e o silney não nos via pra expulsar de lá. O Silney... levo todas as fotos que ele tirava com as mãos gritando "pessoaaal, olha a foto, olha a foto da escola pessoaaal" "assim não, fica de ladinho assim.. um do lado do outro, ele atrás de ti guriazinha, prejudica a foto" e as histórias mirabolantes e filosofias em que ele passava um pouco de ridículo mas daí eu podia defender ele dos deboches e fazer ele gostar de mim. :)

Vou levar todas as pessoas do teatro e todas as pessoas do CTG, todos os micos no saguão e as saídas vestida de prenda ou de palhaço. A Isadora e o Maurício no meu primeiro semestre.:)

Levo todos os amigos que eu fiz, e os que eu não mantive amizade. Todos os grupos que eu andei e todos que me ensinaram a não confiar tanto nos outros. agradeço os que me machucaram, os que falaram mal de mim e quem me ridicularizou. Talvez sem vocês eu ainda fosse completamente abobada. Agora eu sou só um pouquinho. ;)
Levo todos pra vida. Desde a Taís Ongaratto, a primeira até a Taís Meroni, a última amizade adquirida. :)
Todas as Thaises, Taíses, Luizas, Luisas, Jéssicas, Camilas, Stelas, Estelas, Déboras, Jeffs, Eduardas, Francieles e Gabrielas... enfim. todos vocês.

Levo não só na minha mala de lembranças mas também comigo todos os dias algumas pessoas lindas, que me fizeram mudar muito e que eram as últimas pessoas que eu pensava ser realmente amiga no IF. e foram as únicas que realmente foram. Debora Martins, Sandy Casarin, Andressa Fonseca e Taís Meroni. Claro que eu tive outros amigos e eu levo com carinho pra sempre, mas elas foram e são diferentes. Porque, apesar de tudo que tinha de diferente, elas foram o que mais pareceu comigo nesses anos todos. Sei lá se é porque nós éramos irresponsáveis juntas ou porque eu pude admitir que gostava de músicas e coisas que todo mundo repudia. Ou sei lá, deve ser porque eu posso admitir, com elas, que eu gosto de coisas que até elas repudiam. Não é isso que interessa. O que interessa é que o IF me deu as minhas maiores amizades atuais. Não só elas, mas alguns dos meus melhores amigos foram fruto do Cefet, de um tempo em que ele ainda era um lugar misterioso. Tanto tempo que nas minhas lembranças nem parece o mesmo lugar.

O IF me deu mais que ensino, não me deu currículo... mas me deu um tipo de experiência de vida. Tu nunca entra no IF e sai a mesma pessoa. Até porque eu entrei no CEFET e saí do IF, o que já muda tudo. he. É uma forma de ver as coisas totalmente diferente, um ensino diferente, pessoas diferentes. É, pessoas diferentes, o que eu acho que muda muito. Essas pessoas e cada bagagem que cada uma traz é o que mais muda a nossa bagagem ao sair.
É como dizia minha mãe: "Onde eu mais aprendi na Escola técnica não foi nas aulas, foi no jardim, foi com as pessoas"
E é a maior verdade sobre esse lugar, seja Escola Técnica, seja Cefet, seja If-Sul. O que importa mesmo não é o que tu vai levar no teu currículo e sim o que tu vai levar na tua bagagem pra vida, as coisas que tu vai aprender nas conversas mais tranquilas embaixo do sol comendo risólis de frios.

Então, pessoas que dizem que eu entrei pro Cefet a custo e que não valeu a pena porque não vai constar no meu currículo, entendam, finalmente, que valeu muito mais a pena que vocês imaginam. Valeu minha vida.

beijos aos lindos, continuem pegando café no ensino. :)

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